A restrição da União Europeia à entrada de carne bovina brasileira pode gerar prejuízo estimado em US$ 119 milhões, cerca de R$ 654 milhões. A medida está relacionada a exigências sanitárias sobre o uso de antimicrobianos no rebanho e afeta principalmente a chamada cota Hilton, destinada a cortes bovinos de maior valor comercial.
Cerca de 2 mil toneladas de carne bovina que foram embarcadas antes do início do bloqueio, em setembro, permanecem retidas em portos europeus sem autorização para entrada. A situação afeta cargas que já estavam preparadas para comercialização no mercado internacional.
A cota Hilton reúne cortes bovinos de padrão superior destinados ao mercado europeu. Por terem maior valor agregado, esses produtos representam uma parcela importante da receita obtida pelos exportadores brasileiros.
As projeções para o próximo ano também preocupam o setor. Segundo as informações divulgadas, o Brasil poderá deixar de exportar mais de 11 mil toneladas de carne destinadas à cota, abrindo espaço para outros fornecedores da América do Sul.
Uruguai e Argentina estão entre os países que podem disputar os compradores europeus durante o período de restrição. A movimentação ocorre enquanto produtores e exportadores brasileiros buscam alternativas para reduzir os impactos comerciais.
A medida também ocorre durante as negociações entre a União Europeia e o Mercosul. As discussões previam mudanças nas condições de acesso de produtos sul-americanos ao mercado europeu, incluindo redução de tarifas para a carne negociada dentro da cota Hilton.
O setor agropecuário brasileiro e o governo buscam apresentar garantias sanitárias às autoridades europeias. A diplomacia brasileira também mantém tratativas para tentar restabelecer os embarques e reduzir os impactos econômicos sobre a pecuária de corte.
























