A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou na manhã desta sexta-feira (18) uma operação contra uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico de drogas, transporte de armas e lavagem de dinheiro. A ação cumpre 14 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão no Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.
No Paraná, os mandados são cumpridos em Maringá, Foz do Iguaçu, São Miguel do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu. A investigação aponta que uma família paranaense teria participado da logística de carregamentos de drogas e armas destinados principalmente a criminosos no Rio de Janeiro.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de 21 contas bancárias e aplicações financeiras, até o limite de R$ 10 milhões. Também foi autorizado o sequestro de 19 veículos relacionados aos investigados.
Drogas e armas apreendidas
As investigações começaram em fevereiro deste ano, após o compartilhamento de provas obtidas durante a prisão de um traficante em dezembro de 2025. Segundo a PCPR, ele seria responsável pelo transporte de grandes carregamentos de drogas e armas de Curitiba para comunidades dominadas por organizações criminosas no Rio de Janeiro.
Durante o avanço das apurações, os investigadores identificaram outro homem que teria assumido a função logística. Conforme a polícia, ele contaria com a participação da companheira e dos quatro filhos.
Em 18 de junho, em Campo Largo, a PCPR apreendeu cerca de 459 quilos de cocaína e crack, um fuzil calibre 5,56 milímetros, nove pistolas calibre 9 milímetros e 15 peças desmontadas de fuzil calibre 7,62 milímetros. Dois integrantes da família foram presos durante o transbordo do material de um caminhão para um veículo utilitário.
Onze dias depois, em Ourinhos, no interior de São Paulo, a Polícia Militar paulista apreendeu outro carregamento que, segundo a investigação, estaria relacionado ao grupo. No local foram encontrados 18 fuzis, carregadores e uma quantidade significativa de drogas.
De acordo com a PCPR, os entorpecentes e armamentos eram escondidos em meio a cargas lícitas transportadas por caminhões. A organização também utilizaria veículos chamados de “batedores”, que trafegavam à frente dos caminhões para informar sobre a localização de viaturas e postos policiais.
Investigação aponta uso de empresas de fachada
A apuração também identificou, segundo a polícia, o uso de documentos e empresas para ocultar patrimônio e movimentar recursos obtidos com as atividades investigadas.
Conforme a PCPR, o principal investigado teria criado uma identidade falsa para abrir uma transportadora de fachada, contas bancárias e registrar veículos de alto valor. Um dos filhos também teria utilizado uma identidade paralela e aberto duas empresas, sendo uma delas localizada na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, que foi alvo de busca nesta sexta-feira (18).
A análise financeira apontou aproximadamente R$ 28,8 milhões em créditos movimentados pelos investigados, valores considerados pela polícia incompatíveis com as rendas declaradas.
Uma das empresas ligadas à família teria movimentado R$ 2,5 milhões em 2025. Outra, registrada em nome de dois filhos do investigado, movimentou R$ 4,2 milhões entre 2025 e 2026, embora tenha declarado faturamento de pouco mais de R$ 34 mil.
A PCPR também identificou movimentações envolvendo uma empresa de serralheria e vidraçaria que, segundo a investigação, faria a ligação financeira entre o grupo paranaense e uma facção criminosa do Rio de Janeiro. A empresa teria movimentado mais de R$ 17 milhões em créditos durante 2025.
Ainda conforme a polícia, foram identificadas a compra de uma aeronave, a construção de um hangar em Foz do Iguaçu e a aquisição de uma cota em um clube de voo no interior de São Paulo por R$ 989,5 mil.
A operação busca reunir novas provas sobre a atuação do grupo e interromper a estrutura que, segundo as investigações, seria utilizada para o transporte de drogas e armas e para a lavagem de dinheiro.
























