Uma mulher de 72 anos afirma ter descoberto, ao acordar após uma cirurgia em um hospital particular de Curitiba, que a prótese foi implantada no joelho direito, embora o procedimento estivesse programado para o esquerdo. O caso ocorreu em 30 de setembro e é investigado pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR).
Marilda da Silva se recupera em casa, mas deverá passar por uma nova cirurgia para receber a prótese no joelho correto. A família relata que, além dos problemas físicos, a situação provocou sofrimento emocional.
Segundo a filha da paciente, Sabrina da Silva, a família ficou em choque ao ser informada sobre o ocorrido. Ela afirma que, ao questionar o médico responsável, ouviu que a mãe, ainda sob efeito da sedação, teria insistido para que a cirurgia fosse realizada no joelho direito. Marilda, porém, diz não se lembrar de ter feito esse pedido.
“Ela se culpou, porque eles imputaram uma responsabilidade, uma culpa a ela. Uma culpa que não é dela. Agora, além dos danos físicos, tem também o abalo emocional”, relatou Sabrina.
A filha também afirmou que, segundo sua versão, não houve marcação prévia do membro que deveria ser operado. Ela disse ainda que o médico teria mencionado a realização de um exame de imagem antes do procedimento, mas que o documento não ficou salvo no sistema e não foi disponibilizado à família.
Sabrina informou que procurou um advogado e que já foi chamada pelo hospital para uma reunião.
CRM-PR abriu sindicância
O Conselho Regional de Medicina do Paraná confirmou que instaurou uma sindicância para apurar a conduta dos profissionais envolvidos. O órgão informou que, caso sejam comprovadas infrações éticas, as sanções podem variar de advertência confidencial à cassação do registro profissional, conforme a gravidade do caso.
O conselho também ressaltou que sindicâncias e processos ético-profissionais tramitam sob sigilo, garantindo aos envolvidos o direito à defesa.
Hospital abriu apuração interna
Em nota, o Hospital Cruz Vermelha do Paraná informou que iniciou uma apuração interna para esclarecer as circunstâncias do ocorrido e analisar os registros assistenciais e os procedimentos adotados.
A instituição declarou que acompanhou a alta hospitalar e a evolução inicial da paciente, mantendo contato com os familiares. Também informou que está organizando a continuidade do atendimento com um ortopedista de seu corpo clínico, incluindo avaliação e programação de fisioterapia conforme indicação médica.
O hospital afirmou que não divulgará informações clínicas específicas para preservar o sigilo médico e a privacidade da paciente. A instituição reiterou seu compromisso com a segurança e a qualidade da assistência e disse que adotará as medidas cabíveis após a apuração.






















