O Paraná poderá registrar períodos mais frequentes de chuva acima da média até o verão de 2026/2027. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), grandes volumes podem ficar concentrados em poucos dias, aumentando o risco de temporais, granizo, raios, enxurradas, cheias repentinas e movimentos de massa.
A previsão consta em um boletim divulgado nesta quinta-feira (10), que atualiza os possíveis impactos do El Niño sobre o estado.
Todas as regiões paranaenses podem ter chuva acima da média, mas os maiores desvios são esperados no Centro-Sul, Sul, Oeste e Sudoeste.
El Niño pode ser um dos mais fortes
A temperatura das águas do Pacífico usada como referência para o monitoramento do fenômeno chegou a 1,8°C acima da média, conforme dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
O aquecimento vem avançando desde abril, e o El Niño foi confirmado como ativo em junho.
De acordo com as projeções do Simepar, existe probabilidade superior a 90% de o fenômeno ser classificado como muito forte entre a primavera e o verão.
Entre outubro e dezembro de 2026, a possibilidade de que o episódio esteja entre os mais fortes registrados desde 1950 chega a 75%. O pico do fenômeno é esperado entre novembro e janeiro, quando a temperatura da superfície do mar na região monitorada pode atingir 2,9°C acima da média.
Chuva concentrada aumenta riscos
O principal ponto de atenção para o Paraná é a possibilidade de grandes volumes de chuva ocorrerem em períodos curtos.
Essa concentração pode favorecer temporais severos, granizo, raios, enxurradas e elevação rápida dos níveis dos rios. O excesso de água também pode deixar o solo saturado e aumentar o risco de deslizamentos e outros movimentos de massa.
Apesar da tendência climática, o Simepar ressalta que não é possível prever com antecedência os dias exatos em que os episódios mais intensos ocorrerão.
A intensidade e a localização das chuvas dependem da atuação de sistemas meteorológicos, como frentes frias, áreas de baixa pressão e sistemas de chuva que permanecem sobre uma mesma região.
Chuva acima da média já foi registrada
Os efeitos associados ao El Niño já aparecem nos registros do inverno paranaense.
Em agosto, entre 47 estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de funcionamento, apenas três registraram chuva abaixo da média: Cianorte, Maringá e Apucarana.
Fazenda Rio Grande, Laranjeiras do Sul e o distrito de Horizonte, em Palmas, tiveram o agosto mais chuvoso desde a instalação de suas respectivas estações.
Em julho, somente quatro estações apresentaram volumes abaixo da média histórica: Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba. Nas outras 41 estações analisadas, a chuva ficou acima da média.
Palmas registrou 311 milímetros de chuva em julho de 2026, o maior volume para o mês desde o início das medições na estação, há 28 anos.
Altônia, Cianorte, Cornélio Procópio, Cruzeiro do Iguaçu, Foz do Iguaçu e Ubiratã também registraram recordes de chuva para julho considerando o histórico de suas estações.
O que é o El Niño
O El Niño faz parte do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) e ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal, provocando alterações na circulação da atmosfera.
Essas mudanças podem influenciar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo durante vários meses.
O Simepar destaca que mesmo episódios muito fortes de El Niño não produzem necessariamente os mesmos efeitos em todas as regiões. Quanto maior a intensidade do fenômeno, porém, maior tende a ser a probabilidade de ocorrência dos padrões climáticos normalmente associados a ele.
























