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Jovem santa-helenense e colega, estudantes do Ensino Médio, desenvolvem cadeira de rodas com inteligência artificial. Assista entrevista

Foto: Pedro Macedo/JCL
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Uma ideia que nasceu da observação de uma necessidade da sociedade é um projeto de tecnologia com potencial para ampliar a autonomia de pessoas com deficiências motoras severas.

A equipe de reportagem do Jornal Correio do Lago esteve em Toledo para conhecer de perto o trabalho desenvolvido pelos estudantes Fernando Miguel Koch, que é santa-helenense, e Laura Garbozza, alunos do Colégio Donaduzzi.

Orientados pelo professor Lucas Garcia, especialista em desenvolvimento de sistemas, os jovens trabalham na criação de uma cadeira de rodas capaz de ser controlada por meio de expressões faciais, utilizando recursos de inteligência artificial.

A proposta é atender principalmente pessoas com tetraplegia e outras condições que comprometem severamente os movimentos do corpo, mas preservam a capacidade de realizar expressões faciais. Na prática, movimentos como levantar as sobrancelhas, sorrir ou movimentar os lábios podem ser configurados para comandar diferentes ações da cadeira.

Um dos diferenciais do projeto é justamente a possibilidade de personalização. Cada usuário poderá escolher quais expressões faciais serão mais confortáveis e fáceis de realizar para controlar os movimentos do equipamento.

Sexto protótipo

O desenvolvimento do projeto já dura cerca de um ano e meio e passou por diversas etapas de pesquisa, programação, modelagem e construção. Atualmente, os estudantes trabalham no sexto protótipo em escala reduzida e iniciam a transição para uma cadeira em tamanho real.

Para chegar até essa etapa, Fernando e Laura precisaram desenvolver não apenas o sistema de reconhecimento das expressões, mas também adquirir conhecimentos relacionados à programação, modelagem 3D, eletrônica, microcontroladores e computadores embarcados.

Segundo o professor Lucas Garcia, o trabalho é coletivo e permite que os estudantes transformem conhecimentos adquiridos em sala de aula em soluções voltadas a problemas reais da sociedade.

A proposta também busca aproveitar cadeiras de rodas motorizadas já existentes, adaptando-as ao sistema desenvolvido pelos alunos. A intenção é contribuir para a redução dos custos e possibilitar que pessoas que já possuem equipamentos, mas não conseguem controlá-los pelos meios convencionais, possam conquistar maior autonomia.

Apoio e reconhecimento

Durante o desenvolvimento, os estudantes buscaram apoio de empresas para viabilizar as diferentes etapas do projeto. O esforço chamou a atenção do PDI do Biopark, o qual integra o ecossistema da instituição e fez a doação de uma cadeira de rodas motorizada que será utilizada na próxima fase do trabalho.

O projeto também já recebeu duas premiações em feiras de tecnologia realizadas no Paraná, mesmo sendo desenvolvido por estudantes do ensino médio.

Agora, os jovens se preparam para apresentar o trabalho na Feira de Ciência, Engenharia e Tecnologia (FECET), em Cascavel, onde pretendem demonstrar a evolução do projeto e, se possível, colocar a cadeira em tamanho real em funcionamento.

A expectativa da equipe é avançar posteriormente para uma etapa ainda mais importante: os testes com usuários. A participação dessas pessoas será fundamental para identificar dificuldades, receber sugestões e aperfeiçoar o sistema antes de uma eventual comercialização.

Tecnologia para devolver autonomia

Mais do que desenvolver um equipamento tecnológico, Fernando e Laura encontraram no projeto uma maneira de utilizar programação, inteligência artificial e engenharia para enfrentar uma dificuldade que afeta diretamente a qualidade de vida de pessoas com mobilidade extremamente reduzida.

O objetivo final é permitir que o usuário tenha novamente o controle sobre seus deslocamentos utilizando apenas os movimentos que consegue realizar com o rosto.

O projeto ainda está em desenvolvimento, mas a evolução alcançada pelos estudantes já demonstra como a educação aliada à tecnologia pode transformar uma ideia em uma solução voltada para uma necessidade concreta da sociedade.

Fonte: Jornal Correio do Lago