CIDADES

Entenda a engenharia por trás da passarela das Cataratas do Iguaçu, construída para suportar cheias históricas

Banner

A recente elevação da vazão do Rio Iguaçu, que ultrapassou a marca de 15,8 milhões de litros de água por segundo nesta quarta-feira (14) — volume mais de dez vezes superior à média histórica —, voltou a chamar a atenção para a resistência da passarela que leva os turistas ao mirante principal das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu. Mesmo quando encoberta pela força do rio, a estrutura de concreto permanece intacta, projetada para suportar vazões extremas que já atingiram 46 milhões de litros por segundo.

O segredo dessa estabilidade está na engenharia aplicada durante a sua reconstrução na década de 1990, após a estrutura anterior ter sido levada por uma grande cheia nos anos 1980. A fundação atual utiliza a técnica conhecida como estacas-raiz. Diferente de bases apenas apoiadas sobre a superfície, essas estacas são perfuradas diretamente no leito rochoso do rio, recebendo armaduras de aço e injeção de cimento sob alta pressão, o que permite absorver a intensa pressão lateral da correnteza.

Para que a fixação fosse executada na época, as equipes precisaram realizar um complexo desvio temporário do leito do Rio Iguaçu. A obra enfrentou fortes enchentes durante a execução que chegaram a arrastar equipamentos, mas o trecho de concreto permaneceu ileso, permitindo a conclusão da montagem final em 1993.

Atualmente, a segurança da passarela é monitorada continuamente pela concessionária Urbia+Cataratas por meio de prismas topográficos instalados nos pilares, capazes de registrar qualquer movimentação milimétrica. Em períodos de forte vazão, como o registrado em outubro, a concessionária adota um protocolo preventivo de remoção das grades metálicas de proteção, reduzindo a resistência contra o fluxo da água e impedindo que troncos e galhos fiquem retidos na estrutura. A reabertura do passeio só ocorre após vistoria minuciosa de engenheiros e com o fluxo do rio reestabelecido em níveis seguros.