Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) produziram, pela primeira vez no mundo, embriões de jumentos nordestinos em laboratório. O trabalho utiliza material genético coletado de animais de uma propriedade no interior da Bahia e pode contribuir para a conservação da espécie e a recomposição do plantel.
A pesquisa foi desenvolvida a partir de oócitos, estruturas presentes nos ovários das jumentas, coletados durante uma visita técnica à Fazenda Jegue Land. O material foi levado ao Laboratório de Reprodução de Animais de Produção (Reprolab), do Departamento de Zootecnia da UFV.
Técnica de fertilização em laboratório
No laboratório, os pesquisadores utilizaram a técnica de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI). O procedimento consiste na introdução de um único espermatozoide diretamente dentro do oócito, com auxílio de equipamentos de micromanipulação.
Após nove dias de cultivo, a equipe conseguiu produzir os primeiros embriões e realizou a vitrificação do material. A técnica utiliza congelamento ultrarrápido para preservar os embriões e permitir seu uso posteriormente.
Segundo os pesquisadores, os protocolos de reprodução assistida para jumentos ainda são menos desenvolvidos quando comparados aos utilizados em cavalos. Por isso, o resultado representa um avanço para a conservação genética da espécie.
Pesquisa busca preservar jumentos nordestinos
O projeto faz parte do mestrado de Frederico Freitas, do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da UFV, sob orientação da professora Yamê Fabres, do Departamento de Zootecnia.
A Fazenda Jegue Land participa da iniciativa fornecendo animais e estrutura para as atividades de campo. A primeira coleta também contou com a participação de Gustavo Carneiro, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e Jorge Lucena, da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE).
Na próxima etapa, os pesquisadores pretendem transferir os embriões para jumentas e mulas receptoras. A intenção é acompanhar as gestações e avaliar a possibilidade de nascimento dos primeiros animais produzidos por meio da técnica.
A estratégia pode ajudar a preservar material genético de jumentos nordestinos e, no futuro, contribuir para a recomposição dos rebanhos da espécie.
Com Informações da BAND





















