Produtores rurais do Paraná estão reduzindo a aplicação de fertilizantes como forma de diminuir os custos de produção. A medida pode afetar a produtividade das lavouras e, dependendo dos resultados das próximas safras, chegar ao preço dos alimentos para o consumidor.
Projeções indicam que as indústrias devem reduzir entre 10% e 20% a entrega de fertilizantes aos produtores paranaenses nas próximas safras. Segundo a reportagem da Tribuna do Paraná, a redução não ocorre por falta do produto, mas pela decisão dos agricultores de adiar compras ou diminuir o uso dos insumos diante dos custos elevados.
O Paraná depende fortemente do mercado externo para abastecer o campo. Cerca de 80% dos fertilizantes utilizados no estado são importados. Entre janeiro e agosto de 2026, as importações paranaenses desses produtos somaram mais de US$ 211 milhões, valor 35,6% menor que o registrado no mesmo período do ano passado.
De acordo com o SindiAdubos-PR, a redução nas compras não significa que os produtores tenham menor necessidade de fertilizantes. A principal razão apontada é a tentativa de controlar os gastos, em um cenário de custos elevados e margens mais apertadas.
O agrônomo João Sampaio, conselheiro técnico da Sociedade Rural do Paraná, afirmou à reportagem que o fertilizante pode representar de 30% a 40% do custo de produção. Por isso, reduzir a dose ou adiar a compra passou a ser uma das alternativas adotadas por produtores para tentar equilibrar as contas.
Outro fator que pesa é o transporte. Segundo a reportagem, o frete entre o Porto de Paranaguá e o Norte do Paraná passou de cerca de R$ 130 a R$ 150 por tonelada para aproximadamente R$ 200, um aumento estimado entre 20% e 25% em um ano.
A preocupação para as próximas safras é que uma menor adubação possa reduzir a produtividade de algumas culturas. Caso isso aconteça de forma significativa, os efeitos podem alcançar a oferta de produtos agrícolas e, posteriormente, os preços pagos pelo consumidor.
























