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Do potreiro à glória: a trajetória de craques pioneiros e a era de ouro do futebol raiz no Paraná

O ex-atleta Otelino Vargas folheia livro de registros e revive memórias da conquista histórica de 1970 em conversa com o escritor Rodrigo Smaniotto, no gramado em Santa Helena.
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Muito antes das modernas arenas e dos gramados milimetricamente cuidados, a verdadeira identidade do esporte regional foi forjada no improviso, na poeira dos potreiros e no companheirismo comunitário. Resgatar as memórias de pioneiros que transformaram pastagens em campos oficiais não é apenas recordar partidas e troféus, mas preservar a história viva das famílias e distritos que construíram as bases esportivas do Paraná com paixão e superação.

O Esporte Clube Internacional de São Clemente, fundado em 10 de dezembro de 1967 pelo primeiro presidente Nelson Laichter, marcou a história do esporte amador regional ao conquistar o título invicto da categoria titular no Campeonato Municipal de Futebol de Campo de 1970, em Santa Helena.

A campanha consagrou uma geração de atletas que iniciou as disputas em campos improvisados em potreiros até a construção do gramado de terra batida, viabilizado com o apoio dos próprios jogadores e do morador Abrelino Alcantra.

Entre os principais destaques da conquista estava o meia-esquerda Otelino Vargas, na época com 21 anos, reconhecido pelo estilo cadenciado, visão de jogo e velocidade. Na campanha vitoriosa, o Internacional enfrentou adversários tradicionais como Braço do Norte, Linha Gaúcha, Nacional, Vila Celeste, Santa Helena Velha, Linha Guarani e 7 de Setembro.

A escalação titular contava com o goleiro João Ouro Fino, o lateral-direito Carlos Batista, os zagueiros Orlando Chagas e Nenê dos Santos, os ponteiros Nelson Barrela e Hélio Silva, os meias Ari Laichter e Nelson Laichter, além dos atacantes João Chagas, Valdir “Perigoso” e o próprio Otelino Vargas. Para que o presidente Nelson Laichter pudesse atuar nas partidas, a presidência foi assumida temporariamente por Emílio Zanota. Durante o torneio, Otelino marcou um gol olímpico contra a equipe da Linha Gaúcha e protagonizou disputas de velocidade com o atleta Lambreta.

O cenário esportivo das décadas seguintes também movimentou os distritos de Sub-Sede e São Clemente com rivalidades acirradas. Conforme relata o comerciante e ex-meia-atacante Elemar Back, que atuou entre 1980 e 1990, os confrontos envolvendo a Associação São Clemente, Boa Esperança, Palmeirinhas e Linha Felicidade reuniam grande público à beira do gramado. No mesmo período de consolidação do esporte local, o ex-atleta Mário Vicente Setter atuou entre 1970 e 1975 com três irmãos no Pioneiro do Cascalho, enquanto Miguel Jorge Falinski defendeu a categoria de aspirantes do Internacional em 1975, época marcada por clássicos contra o time da Madeireira Maderlan.

A organização formal dos campeonatos municipais teve início oficial em 18 de janeiro de 1971, reunindo dirigentes de agremiações como E.C. Pioneiro de São Clemente, S.E. Ipiranga de Linha Miguelito, S.E. Água Verde da Moreninha, S.E. Real de São Roque, C.E.R. Guarani de Lajeado Progresso, S.E.R. Aliança do Pacuri e E.C. Flecha Azul de Linha Esquina Rosa. No final da década de 1990, a organização das competições passou da antiga Liga de Esportes de Santa Helena para a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (SMEL). Parte dos arquivos históricos preserva atas disciplinares, fichas de inscrição e registros fotográficos mantidos pela comunidade e pelos atletas da época.

Para conhecer em detalhes esses e outros episódios marcantes que moldaram o esporte regional, o leitor pode mergulhar nas páginas do livro “Relato da História do Futebol de Campo em Santa Helena“, de autoria do escritor Rodrigo Smaniotto.

A obra reúne fotografias raras, depoimentos inéditos e documentos que resgatam a trajetória dos pioneiros nos gramados do município, tornando-se um registro indispensável para quem valoriza a memória esportiva local. Adquira o seu exemplar e preserve essa história viva do nosso futebol raiz.